A melhor hora do dia

É assim emaranhado que a gente gosta de ficar.

Braço em baixo do pescoço do outro até formigar. Pernas entrelaçadas, mãos dadas e aquele lugarzinho no cangote que é melhor que qualquer travesseiro. Até melhor que o da NASA.

Esquentamos os pés quando frios, ajeitamos a coberta eternamente bagunçada. Roupa de cama arrumada virou parte de um sonho antigo.

À meia luz do abajur, terminamos assuntos, fazemos planos para o dia seguinte – que quase sempre incluem ir dormir mais cedo -, tomamos o resto do chá, conversamos mais um pouco, até que as pausas entre uma frase e outra fiquem demoradas e de repente, sejamos silêncio.

Tem dias que não dá vontade de dormir. Dá vontade de ficar ali, sentindo a pele na pele, a pele no lençol, com uma perna por baixo e outra por cima da coberta – que é pra controlar a temperatura.

Mas a gente tem o sono fácil.

Talvez pela quase exaustão dos dias que parecem intermináveis, talvez porque quando deito ao teu lado – finalmente – eu chego em casa.

“Tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,

Tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.”  – Pablo Neruda

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