Outono

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Depois de longos meses de verão, com sol forte das seis da manhã às nove e meia da noite, setembro chegou com novos tons para dar cor à nossa vida. O calor intenso foi nos deixando aos poucos e a brisa de outono veio com ar de renovação.

Ainda me é estranha essa ideia de começar um ‘novo ano’ em um mês que não seja Janeiro. Mas aqui funciona assim. Termina o verão, acabam as férias, começa o ano letivo. Gente nova chega na cidade aos montes e vários amigos vão embora. Parece até final de Malhação: o cenário continua mais ou menos o mesmo, mas só fica um ou outro personagem. Apelidamos esse recomeço carinhosamente de Segunda Temporada.

Nesse meio tempo, as portas da nossa casa estiveram bem abertas e vários amigos passaram por aqui, um atrás do outro, pra não perder o costume.

Na segunda metade do mês, em uma noite no meio da semana, fui buscar a Nanda na Plaza Catalunya. Sem dúvidas uma das visitas que mais esperei: depois de mais de dez anos de amizade, era a primeira vez que conseguiríamos fazer uma viagem juntas. Já era quase uma da manhã quando ela finalmente saiu do ônibus toda descabelada, com seus óculos tortos, chinelo de pelo, sorriso largo e alma reluzindo como sempre. Acon-chegou.

Receber pessoas aqui sempre me abre os olhos para detalhes da cidade que ainda não tinha reparado ou que já acostumei a ver. É um exercício interessante esse de tentar ver as coisas como se fosse a primeira vez, porque se for parar pra pensar, sempre é a primeira vez.

No meio de toda confusão dos quatro voos perdidos e outras tantas passagens alteradas, Nanda ficou só cinco dias por aqui. Apesar de curto, o tempo que passamos juntas foi aproveitado bem demais. Fomos aos meus bares e restaurantes preferidos, aos eventos da Fiesta de la Mercé, caminhamos pelos bairros antigos. Fomos à praia, museus e a um parque de diversões daqueles itinerantes – comemos algodão doce e passamos mal em um brinquedo desses que joga a gente pro alto sem cinto de segurança e todo mundo acha que tá ok, tá bacana, tá seguro. Fiquei com uns hematomas nas costelas, perdemos um pé do chinelo de pelo, saímos tontas.

Conversamos por horas de madrugada, em cafés, na rua. Fotografamos e usamos as roupas uma da outra, igualzinho como fazíamos aos 12 anos de idade. Quando eu achava que íamos parar para descansar, a Nanda sempre queria em algum outro lugar, fazer qualquer outra coisa – se pudesse ser de moto, melhor – S.O.S. Juro que tem vezes que não sei de onde vem tanta energia.

Teve um dia no meio desses todos que foi ainda mais especial. Era aniversário do Thomas, namorado da Ana. Fomos a um restaurante comer tapas e tomar cerveja. Chegando lá encontramos a Thais, uma amiga que estudei junto na facul e no colégio, que nos esperava. Não nos víamos há uns dois anos, segundo nossos cálculos.

A Thais veio fazer uma viagem pela Espanha, começando e terminando por Barcelona, passando por Mallorca, Madrid, Granada e Sevilla. Ela queria fazer uma viagem, seus possíveis acompanhantes estavam todos trabalhando e ela tinha o tempo e o dinheiro. A turnê da banda preferida dela, os Rolling Stones, passaria por aqui. Ela comprou o ingresso e as passagens e veio sozinha mesmo. Gosto de gente assim.

Conversa vai, conversa vem, entre tapas e beijos, cervejas e sangrias, saímos do restaurante e passamos em um bar de chupitos onde cada um pagou uma rodada de shots – fomos embora depois do oitavo, pelo bem de todos. Já não tão sóbrios, decidimos caminhar até uma festa, uns 2km dali. Pelas ruas largas do Eixample fomos dançando cantando e dançando hits antigos à capela – de Tim Maia a Smash Mouth.

Uma combinação improvável de pessoas em um desses momentos únicos, simples e inesperados.  A alegria e a energia eram tão boas que deu vontade de reviver o momento em looping eterno. Na UltraPop – melhor substituta do V.U até agora – dançamos até as pernas não aguentarem mais e a Thais (que tinha vindo direto do aeroporto) já não conseguisse ficar de olhos abertos. No dia seguinte, curamos a ressaca com um baita brunch de panquecas cheias de syrup e logo estávamos prontos para a próxima.

Em momentos como esse percebo como eu sou uma pessoa de pessoas (people’s-person definitivamente soa melhor). Nesses quase dois anos fora, aprendi a ser um pouco mais auto-suficiente, mas não tem nada que me faça mais completa do que estar ao lado de gente boa que eu amo.

Antes da Nanda ir embora, sentamos em um bar numa praça no meio do Raval, pedimos um café e eu abri meu coração mais uma vez. Coloquei um monte de coisas pra fora e, de repente, meio que como mágica, as coisas fizeram sentido. É engraçado como às vezes a gente precisa verbalizar os sentimentos para se entender melhor. Foi com essa clareza e com palavras de incentivo e carinho que nos despedimos.

Acho que uma das melhores partes de estar com amigos antigos é essa sensação de reencontro com as partes de nós mesmos que se ficaram esquecidas em algum canto. Obrigada Setembro.

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