Conversa com Chimamanda

Já faz mais ou menos um mês que uma amiga me avisou sobre a talk da Chimamanda que iria rolar aqui no CCCB (Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona). Fiquei super animada e corri comprar os ingressos que já estavam quase esgotados. Chimamanda Ngozi Adichi é uma escritora nigeriana bastante conhecida por tratar de questões de gênero e raça – sendo uma das grandes vozes do feminismo contemporâneo.

2140-DOC-Entrevista01-1560x877

Saí tarde do trabalho e o Oliver já me esperava na portaria. Apertamos o passo e chegamos ao teatro no primeiro minuto da conversa. Já de cara deu para sentir o entusiasmo da platéia, com olhos e ouvidos atentos a cada palavra e movimento da protagonista da noite.

Chimamanda nasceu e viveu na África Ocidental até seus quase 20 anos, quando conseguiu uma bolsa para estudar comunicação nos Estados Unidos. Depois de terminar a graduação, publicou alguns contos e até um livro de poesia, mas foi só aos 26 anos que escreveu seu primeiro romance, o Purple Hibiscus. Já na sua estreia como novelista, ela foi bastante aclamada pelos críticos e recebeu uma série de indicações e prêmios de literatura.

Mas foi só em 2009, quando fez sua primeira TEDTalk, “O perigo das histórias únicas”, que ela ganhou mais notoriedade internacional. Se você ainda não teve a oportunidade, faz um chazinho, senta no sofá e dá um play aqui porque vale a pena:

E eu lá, sentada em meio a uma plateia cheia de mulheres de diversas idades, nacionalidades e histórias, tive a sorte de poder sentir um pouco da energia incrível que ela transmite. Confesso que não fui introduzida a nenhum novo fundamento feminista ou qualquer coisa do tipo, mas a força com que suas palavras envolvem, motivam e provocam o público me surpreenderam.

Uma das coisas que eu mais gosto na literatura e no discurso da Chimamanda é a maneira como ela abre um diálogo sobre temas importantíssimos de maneira bem-humorada e bastante didática. Segundo ela, não há porque utilizar termos técnicos ou de difícil compreensão para falar de feminismo e racismo –  temas tão comuns e presentes no nosso dia a dia. É muito melhor conscientizar através de exemplos e histórias reais.

Pensando nisso, ela também escreveu os livros Todos devemos ser feministas (2014), baseado em sua outra TEDTalk, e Para educar crianças feministas – um manifesto (2017), um livro-carta com 15 sugestões dadas a uma amiga sobre como criar sua filha seguindo alguns princípios do feminismo. São livros super fáceis e rápidos de ler, e ilustram bem várias situações com as quais estamos acostumadas a nos deparar.

IMG_1083

Não vou dar muito spoiler sobre os livros, mas dá pra ter uma ideia do manifesto dela ao ouvir a música Flawless, da Beyoncé, inclui um dos trechos da autora:

“We teach girls to shrink themselves, to make themselves smaller. We say to girls: – You can have ambition, but not too much. You should aim to be successful, but not too successful, otherwise you will threaten the man.

Because I am female I am expected to aspire to marriage, I am expected to make my life choices always keeping in mind that marriage is the most important. Now marriage can be a source of joy and love and mutual support, but why do we teach girls to aspire to marriage and we don’t teach boys the same?

We raise girls to see each other as competitors. Not for jobs or for accomplishments, which I think can be a good thing, but for the attention of men. We teach girls that they cannot be sexual beings in the way that boys are.

Feminist: the person who believes in the social, political and economic equality of the sexes.”

Durante a conversa, ela comentou que, apesar de algumas polêmicas envolvendo Flawless, resolveu ceder os direitos de uso do seu discurso com a intenção fazer chegar sua meAmericanahnsagem a um público que talvez não tivesse acesso a ele de outra maneira e, dessa forma, “plantar sua sementinha” para outras jovens.

Já em Americanah, seu último romance publicado, ela conta a história de Ifemelu, uma jovem nigeriana que vai estudar nos Estados Unidos (coincidência?) e se depara com as dificuldades de ser negra, mulher e imigrante. A personagem tem personalidade forte e, aparentemente, não agrada a todos. Quando questionada sobre isso, Chimamanda rebate:

“- Eu não a criei para que ela fosse agradável, e sim para que fosse autêntica. Muitas pessoas me dizem que leram o livro e não gostaram da protagonista. Eu fico feliz. Estamos acostumadas a achar que as mulheres têm que se adaptar para agradar a todos, que devem ser dóceis e gentis. Por outro lado, vejo romances como Lolita, por exemplo, onde o protagonista em questão se “apaixona” por uma menina de 12 anos e, de alguma maneira, consegue a simpatia do leitor. Aí já podemos perceber como existem dois pesos e duas medidas diferentes para homens e mulheres.”

De acordo com ela, escrever Americanah foi libertador. Por já ter publicado livros abordando temas que considerava de sua obrigação tratar (como a guerra civil na Nigéria, por exemplo), ela se permitiu escrever um romance exatamente como tinha vontade. Sem se preocupar tanto com o-que-achava-que-tinha-que-dizer ou com o politicamente correto, ela escreveu o que queria e curtiu o processo: “Tiveram vezes que ri tanto das minhas próprias piadas e histórias que achei que estava ficando louca”. Foi com essa determinação, naturalidade e bom humor que ela respondeu a maioria das perguntas, sempre arrancando aplausos do público.

A única foto que consegui tirar :B

É sempre especial colocar cara nas pessoas – como dizem por aqui. Ver, ouvir e perceber as diferentes nuances das pessoas que admiramos por uma perspectiva mais real, próxima e humana. Não são só palavras em um papel, ou um vídeo na tela do celular. É a presença, o contato e a energia que fazem toda a diferença.

Por último, Chimamanda respondeu uma pergunta sobre sua rotina como escritora. Disse admirar aqueles autores que conseguem ter horários bem definidos e criar algo todos os dias. Tem vezes que, quando a inspiração vem, ela passa o dia de pijama escrevendo até não poder mais. Já em outros momentos menos iluminados, prefere focar em atividades diferentes e dar tempo ao tempo.

5400004_1478288984535_file

Quando perguntada sobre se está ou não escrevendo novos livros, ela preferiu não dar spoilers e desabafou sobre a pressão externa que surge quando revela novos projetos. Disse que essa cobrança para entregar resultados a atrapalha muito e faz crescer a ansiedade que já é quase intrínseca ao processo criativo, além sentir que fica mais vulnerável a energias externas que nem sempre são positivas.

Já escrevi demais né? Pra resumir, foi lindo. Depois da palestra rolou uma sessão de autógrafos onde ficou ainda mais claro o exemplo que ela é para muitas jovens. Sai de lá ainda mais fã, com vontade de ler todos os livros e inspirada pelo exemplo dessa mulher que questionou e superou os tantas barreiras e hoje está aí, iluminando as ideias de muita gente.

Por um mundo com mais Chimamandas e menos histórias únicas!

892e5e1a3646349cb03d31179f1ac1df

“ – A ficção me brinda com uma alegria tão grande, tão rara. Eu quero escrever até morrer. Se eu não pudesse escrever, preferiria não viver.”                      Chimamanda Ngozi Adichi

 

 

 

 

 

Beijos,

Maria Alice

Advertisements

Irmãs Sorlet

Uma das ideias desse blog, dentre as tantas que vem surgindo pouco a pouco, é compartilhar coisas que me chamam a atenção por aí, que acho interessante ou que, por algum motivo, me trazem algo de novo ou especial.

Hoje queria dividir com vocês o trabalho lindo das irmãs Agathe e Lorraine Sorlet. As gêmeas francesas são ilustradoras e animadoras, formadas na L’École de L’Image Gobelinsreferência em comunicação digital, design interativo e entretenimento – em Paris.

As duas retratam, cada uma com sua linguagem própria, mulheres em diferentes contextos – sempre de maneira delicada e sutil, com um toque de humor.

Lorraine 4 Lecture d'amour 3
Lecture d’amour 3 – Lorraine Sorlet

Primeiro descobri a Lorraine. Amei as cores que ela usa e o jeito como representa situações cotidianas em pequenos fragmentos super expressivos. A série de leituras sobre o amor e as de casais são demais, mas as minhas preferidas ainda são as que retratam mulheres, onde os olhares e gestos falam muito por si só. Dá uma olhada:

 

Your Arms

 

Captura

A Agathe eu descobri por acaso, quando vi que as duas estavam fazendo uma exposição juntas – a “Sisters” – e me apaixonei. Diferente da irmã, ela usa mais o humor, explora o corpo feminino, os hábitos, o nu e a sexualidade mais livremente e me faz sorrir com seus gifs no Instagram.

 

 

 

A verdade é que não tenho mais muita informação sobre elas. Só sei que achei tudo lindo, leve e despretensioso. Tá difícil escolher qual encomendar pra pendurar em casa!

Pra conhecer um pouco mais do trabalho delas (ou comprar um print pra sua parede também):

http://lorrainesorlet.tictail.com/

http://agathesorlet.tictail.com/

e no Instagram:  @lorrainesorlet @agathesorlet

Beijos,

Maria Alice

 

Primeiros 10km

Ontem foi um domingo especial.

Acordei cedo e, com muito esforço, consegui acordar o Oli uns minutos depois. Vestimos nossas roupas de corrida e as camisetas da “Cursa de la Mercè”, passamos um café no filtro e eu fiz um queijo quente pra nós. Colamos nossa dorsal com uma fita mequetrefe e, ainda meio sonolentos, pegamos o metrô para a Plaça d’Espanya.

Chegando lá, encontramos uns amigos e nos infiltramos entre as baterias dos 55’ e dos 60’. Por um momento, pensei que seria bem legal se conseguíssemos terminar os 10 Km perto desse pessoal. Batemos um papo esperando a largada e, com a contagem regressiva em catalão, começamos a correr devagarinho até passarmos pela surtida oficial.

Logo nos primeiros minutos nos perdemos dos nossos amigos, que dispararam com o pelotão da frente. Corremos tranquilos, começando com mais velocidade e baixando o ritmo aos poucos. A cidade estava linda, o sol forte e uma brisa fresca de início de outono. O som das passadas das quase 12 mil pessoas animava mais do que qualquer música.

No meio desse povo tinha gente de todo tipo: crianças, jovens, velhinhos, mães correndo com bebê no carrinho, cadeirantes e famílias inteiras – confirmando mais uma vez que a corrida é um esporte pra quem quiser.

Passamos pela Gran Via, Arco do Triunfo, Praça da Catalunya e terminamos de volta na Fonte Mágica de Montjuic. Dá pra dizer que o último km (na subida) foi o que pesou um pouco nas pernas. Mas após  1 hora e 1 minuto, cruzamos a linha de chegada.

Mapa do Trajeto

Como nas últimas semanas já estávamos fazendo treinos mais longos, não foi surpresa chegarmos inteiros ao final da prova. Ainda assim, acabamos com um gostinho de vitória – tendo feito nossos quilômetros mais rápidos até hoje. Essa é uma das coisas que eu mais gosto na corrida: a possibilidade que cada um tem de praticar do seu jeito, superando os seus limites e alcançando as próprias metas (e depois dobrando, rs) – sejam elas quais forem.

Felizes e suados após a chegada

Há bem pouco tempo, eu mal conseguia correr 500m sem ficar ofegante. Jamais acreditaria se me dissessem que correria 5km direto (é mais do que uma volta inteira no Barigui), imagina então os 10. E aí que vem a graça. A corrida me ensinou a acreditar mais em mim, a me alegrar com cada pequena vitória, a ouvir meu corpo e a respeitar meu próprio tempo. É uma terapia de autoconhecimento.

Ontem foi um dia especial porque pude comemorar essa pequena vitória – que pode ser muito ou pouco para os outros – mas que é minha e para mim. Que venham os próximos desafios, quilômetros e alegrias nesse esporte que ganhou meu coração.

A melhor hora do dia

É assim emaranhado que a gente gosta de ficar.

Braço em baixo do pescoço do outro até formigar. Pernas entrelaçadas, mãos dadas e aquele lugarzinho no cangote que é melhor que qualquer travesseiro. Até melhor que o da NASA.

Esquentamos os pés quando frios, ajeitamos a coberta eternamente bagunçada. Roupa de cama arrumada virou parte de um sonho antigo.

À meia luz do abajur, terminamos assuntos, fazemos planos para o dia seguinte – que quase sempre incluem ir dormir mais cedo -, tomamos o resto do chá, conversamos mais um pouco, até que as pausas entre uma frase e outra fiquem demoradas e de repente, sejamos silêncio.

Tem dias que não dá vontade de dormir. Dá vontade de ficar ali, sentindo a pele na pele, a pele no lençol, com uma perna por baixo e outra por cima da coberta – que é pra controlar a temperatura.

Mas a gente tem o sono fácil.

Talvez pela quase exaustão dos dias que parecem intermináveis, talvez porque quando deito ao teu lado – finalmente – eu chego em casa.

“Tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,

Tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.”  – Pablo Neruda

image1

Flor&Ser

Nessas mini férias nós nos programamos para visitar a Provance e ver os campos de lavanda e de girassóis. Uns dias antes de ir, li uma notícia de que, devido ao verão mais quente que o esperado, as últimas colheitas foram antecipadas. Fiquei um pouco chateada. Ainda assim, encontramos alguns campos ainda floridos e outros que tinham recém sido replantados.

O que conclui: a natureza é perfeita e há beleza em todas as etapas da vida – no nascer, amadurecer, florir, morrer e recomeçar- cabe a nós respeitar e apreciar cada uma delas na sua singularidade. Está aí para todos nós.

Que bom que vocês chegaram!

Ontem fez um ano da nossa mudança aqui pra Barcelona, e a nossa comemoração não poderia ter sido mais apropriada: um jantar simples em casa, feito pela Carol, uma das nossas visitantes, para nós (eu, Oliver,Gu) e Alf. Apesar de termos conhecido a Carol e o Alf ontem mesmo, nossa jantinha foi digna de uma amizade de longuíssima data. A luz de velas, com vinho, boas risadas e “uns par” de boas histórias.

De todas as coisas incríveis que aconteceram durante ano aqui, essa foi a principal. Ter a oportunidade de receber amigos, família, conhecidos – e outros até então não tão conhecidos – que passaram a ocupar lugar especial em nossos corações. A cada visita, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais de perto esses seres especiais que, por algum ou vários motivos, cruzaram o nosso caminho.

Receber gente é um pequeno ritual: marcamos na agenda, arrumamos a casa, compramos mais comida, abrimos espaço. Varremos a casa, escrevemos uma mensagem nova no nosso letreiro, separamos a roupa de cama, eu acendo incenso, Oliver tira os lixos e o Gu arruma nosso armário da cozinha meticulosamente (?). Damos água pras plantas, lavamos a louça da pia e deixamos o ar entrar.

As visitas então chegam. Recebemos com abraços apertados, alegria e aquela vontade de passar dia e noite inteira conversando. Ajudamos com a programação turística, damos dicas, chave de casa, cartão da bicicleta. Levamos nos nossos restaurantes de tapas preferidos, nos lugares com as melhores vistas da cidade (bunkers!), no bar do flamenco, no bar do absinto e em outros cantinhos e ruas que a gente gosta de passar.

Tem vezes que não dá pra estar tão junto quanto gostaríamos, tem trabalho, aula ou algum compromisso desses que não dá pra fugir. Mas a gente sempre consegue ter nossos momentos especiais. Às vezes é uma conversa no sofá, uma caminhada pela praia ou um café da manha de domingo.

Dá uma alegria imensa poder receber todas essas pessoas no nosso lar e saber que elas se sentem à vontade dividindo um pouco do nosso espacinho e da nossa vida. Recebemos pessoas maravilhosas que nos deixaram de presente uma casa cheia, um coração quentinho, bons momentos, novas ideias, receitas, risadas e que, sem dúvidas, marcam de forma única a nossa vida e esse ano em Barcelona.

Queria agradecer a todos e todas que nos visitaram nesse período: Pri, Lucas, Fer, Du, Re, Grego, Tati, Gusso, amigo que vendia violinos, Matheus, Fernanda, Josephina, Thiago, Pai, Mãe, Johnny, Tia Márcia, Tio Carlos, Dan, Carol, Susi, Keith, Milan, Claudemir, Vini e Jacque da Suécia, Ben, Sara, Giulia, Federica, Carol e Alf. Também aos que passaram por Barcelona mas não ficaram aqui em casa: Jasper, Rosana, Kethy, prima da Kethy, Sheila, Léo, Jonathan, Marie, Black, Manuel, Carlinhos, Ellen, Nati, Simon, Thais (desculpa se tá faltando alguém, foram muitos) e aos que tantos que, se Deus quiser, estão por vir.

Por último e mais importante, meu muito obrigada aos meus roomies, mini família e companheiros de vida Oli e Gu, que abrem seus braços junto com os meus para receber toda essa gente linda.

E pra quem tem planos de vir, é só chegar! Nossas portas e corações estarão sempre abertos para quem é do bem! Vem que tem um sofá macio, colchão de ar e muito amor pra dar.

Que venha um novo ano com muitas novas estadias na Rambla 16! ❤

Quando vocês se vão

Quando vocês se vão, ficam os olhos marejados,

O calor do último abraço dado,

Que de tão apertado, junta os pedaços de mim que a despedida separou.

 

Quando vocês se vão, fica o sabonete pela metade no chuveiro,

O cheiro bom no travesseiro,

Que não dá vontade de lavar.

 

Quando vocês se vão, ficam os presentes e bilhetes trocados,

As moedas de poucos centavos,

Que aí não servirão.

 

Quando vocês se vão, ficam os vinhos que não brindamos,

As histórias que não contamos,

Que na próxima vez temos que lembrar.

 

Quando vocês se vão, fica a escova esquecida no banheiro,

As flores que comprei para recebê-los,

Já começando a murchar.

 

Quando vocês se vão, ficam as fotos e vídeos no celular,

Tantas memórias boas,

Gostosas de recordar.

 

Quando vocês se vão, ficam as músicas que cantamos juntos,

As perguntas sobre tantos assuntos,

Que não terminamos de conversar.

 

Quando vocês se vão, fica o nó na garganta,

O resto daquela janta,

Que sobrou pra eu esquentar.

 

Quando vocês se vão, ficam as saudades,

A distância entre as nossas cidades,

Que só o tempo vai encurtar.

 

Quando vocês se vão, é difícil não chorar,

Que sem vocês fica um vazio tão grande,

Que só o próximo abraço poderá curar.

 

da sua filha, Maria Alice.

Manifesto

Há alguns meses, quando as primeiras ideias concretas para esse blog surgiram, uma das primeiras coisas que fiz foi um “mapa da inspiração” – coloquei no papel os nomes de todas as pessoas que, pelos mais variados motivos, eu admiro. Foi aí que descobri uma coisa muito especial: muitas das minhas grandes inspirações estão bem mais perto de mim do que eu imaginava e 90% delas são mulheres.

É claro que nessa lista haviam nomes conhecidos, grandes personalidades e até algumas subcelebridades (quem nunca?). É quase instintivo toma-las como referência de beleza, lifestyle, e sucesso, mesmo conhecendo apenas uma parte de quem elas são. Mas, depois de refletir um pouco, entendi que as mulheres que me inspiram de forma genuína mesmo são aquelas que eu já vi de perto. As mulheres reais.

Na vida real, quem me chama atenção não é necessariamente quem é mais bem sucedida na carreira, nem quem ganhou algum prêmio. Não é quem tem mais seguidores no Instagram ou mais carimbos no passaporte. Não são reconhecidas na rua, nem foram estudadas como um case de sucesso (ainda) e, em sua grande maioria, passam despercebidas por aí.

Quem me inspira muitas vezes é quem está com a consciência pesada porque trocou a academia pelo happy hour e quem decidiu ficar em casa vendo Netflix em um sábado à noite. Quem me inspira é quem é autêntica e não tem vergonha de levantar cedo pra ir pro trabalho que não gosta tanto assim, e que, apesar do cansaço no fim do dia, arruma um tempinho pra mandar mensagem pra aquela amiga que anda tristinha.

Quem me inspira é quem é espontânea, quem me diz que tem alface no meu dente e não se importa em contar que teve uma dor de barriga na noite passada. Quem me inspira é quem ri da vida mesmo quando ela insiste em sacanear.

Quem me inspira são as minhas amigas, as mães delas, as colegas da meditação, do trabalho, aquela menina do colégio que não vejo há mais de ano. É a namorada do amigo, é a prima que mora longe, a amiga de infância. São as minhas tias, e as amigas das amigas. São muitas e estão em todo o lugar!

Esse é um manifesto às mulheres reais da minha vida, com seus vários defeitos e inúmeras qualidades. São vocês aí que me fazem querer ser melhor a cada dia. E esse é o meu convite para que a gente olhe pra dentro das nossas casas, do nosso escritório, universidade, academia, café, restaurante,  e elogie, troque uma ideia, faça perguntas e cresça junto com todas essas pessoas incríveis.

Esse é o primeiro post de uma série que terá como objetivo mostrar um pouco dessas pessoas especiais que tive a sorte de encontrar no meu caminho. Serão pequenas entrevistas, biografias, fotos e vídeos que contem um pouquinho da história de cada uma delas.

605f7957e0805b625f578d4403723857

Espero que gostem!

Maria Alice

🙂

 

Oi!

Eu gosto de compartilhar. Desde que me conheço por gente sou assim. Gosto de contar o que aconteceu no dia, no final de semana, nas férias. Gosto de dividir as experiências, jogar conversa fora, falar de tudo um pouco.

Volta e meia me pego tentando resgatar lembranças de um determinado período da vida e o máximo que encontro são algumas poucas fotos tiradas e esquecidas em um HD, e-mails enviados e uma ou outra carta guardada no fundo da gaveta. Como a minha memória é péssima, a ideia desse blog é registrar um pouco do que vivo, penso e do que me chama atenção por ai.

Seja bem vinda (o),

Maria Alice

🙂