Primeiros 10km

Ontem foi um domingo especial.

Acordei cedo e, com muito esforço, consegui acordar o Oli uns minutos depois. Vestimos nossas roupas de corrida e as camisetas da “Cursa de la Mercè”, passamos um café no filtro e eu fiz um queijo quente pra nós. Colamos nossa dorsal com uma fita mequetrefe e, ainda meio sonolentos, pegamos o metrô para a Plaça d’Espanya.

Chegando lá, encontramos uns amigos e nos infiltramos entre as baterias dos 55’ e dos 60’. Por um momento, pensei que seria bem legal se conseguíssemos terminar os 10 Km perto desse pessoal. Batemos um papo esperando a largada e, com a contagem regressiva em catalão, começamos a correr devagarinho até passarmos pela surtida oficial.

Logo nos primeiros minutos nos perdemos dos nossos amigos, que dispararam com o pelotão da frente. Corremos tranquilos, começando com mais velocidade e baixando o ritmo aos poucos. A cidade estava linda, o sol forte e uma brisa fresca de início de outono. O som das passadas das quase 12 mil pessoas animava mais do que qualquer música.

No meio desse povo tinha gente de todo tipo: crianças, jovens, velhinhos, mães correndo com bebê no carrinho, cadeirantes e famílias inteiras – confirmando mais uma vez que a corrida é um esporte pra quem quiser.

Passamos pela Gran Via, Arco do Triunfo, Praça da Catalunya e terminamos de volta na Fonte Mágica de Montjuic. Dá pra dizer que o último km (na subida) foi o que pesou um pouco nas pernas. Mas após  1 hora e 1 minuto, cruzamos a linha de chegada.

Mapa do Trajeto

Como nas últimas semanas já estávamos fazendo treinos mais longos, não foi surpresa chegarmos inteiros ao final da prova. Ainda assim, acabamos com um gostinho de vitória – tendo feito nossos quilômetros mais rápidos até hoje. Essa é uma das coisas que eu mais gosto na corrida: a possibilidade que cada um tem de praticar do seu jeito, superando os seus limites e alcançando as próprias metas (e depois dobrando, rs) – sejam elas quais forem.

Felizes e suados após a chegada

Há bem pouco tempo, eu mal conseguia correr 500m sem ficar ofegante. Jamais acreditaria se me dissessem que correria 5km direto (é mais do que uma volta inteira no Barigui), imagina então os 10. E aí que vem a graça. A corrida me ensinou a acreditar mais em mim, a me alegrar com cada pequena vitória, a ouvir meu corpo e a respeitar meu próprio tempo. É uma terapia de autoconhecimento.

Ontem foi um dia especial porque pude comemorar essa pequena vitória – que pode ser muito ou pouco para os outros – mas que é minha e para mim. Que venham os próximos desafios, quilômetros e alegrias nesse esporte que ganhou meu coração.

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Que bom que vocês chegaram!

Ontem fez um ano da nossa mudança aqui pra Barcelona, e a nossa comemoração não poderia ter sido mais apropriada: um jantar simples em casa, feito pela Carol, uma das nossas visitantes, para nós (eu, Oliver,Gu) e Alf. Apesar de termos conhecido a Carol e o Alf ontem mesmo, nossa jantinha foi digna de uma amizade de longuíssima data. A luz de velas, com vinho, boas risadas e “uns par” de boas histórias.

De todas as coisas incríveis que aconteceram durante ano aqui, essa foi a principal. Ter a oportunidade de receber amigos, família, conhecidos – e outros até então não tão conhecidos – que passaram a ocupar lugar especial em nossos corações. A cada visita, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais de perto esses seres especiais que, por algum ou vários motivos, cruzaram o nosso caminho.

Receber gente é um pequeno ritual: marcamos na agenda, arrumamos a casa, compramos mais comida, abrimos espaço. Varremos a casa, escrevemos uma mensagem nova no nosso letreiro, separamos a roupa de cama, eu acendo incenso, Oliver tira os lixos e o Gu arruma nosso armário da cozinha meticulosamente (?). Damos água pras plantas, lavamos a louça da pia e deixamos o ar entrar.

As visitas então chegam. Recebemos com abraços apertados, alegria e aquela vontade de passar dia e noite inteira conversando. Ajudamos com a programação turística, damos dicas, chave de casa, cartão da bicicleta. Levamos nos nossos restaurantes de tapas preferidos, nos lugares com as melhores vistas da cidade (bunkers!), no bar do flamenco, no bar do absinto e em outros cantinhos e ruas que a gente gosta de passar.

Tem vezes que não dá pra estar tão junto quanto gostaríamos, tem trabalho, aula ou algum compromisso desses que não dá pra fugir. Mas a gente sempre consegue ter nossos momentos especiais. Às vezes é uma conversa no sofá, uma caminhada pela praia ou um café da manha de domingo.

Dá uma alegria imensa poder receber todas essas pessoas no nosso lar e saber que elas se sentem à vontade dividindo um pouco do nosso espacinho e da nossa vida. Recebemos pessoas maravilhosas que nos deixaram de presente uma casa cheia, um coração quentinho, bons momentos, novas ideias, receitas, risadas e que, sem dúvidas, marcam de forma única a nossa vida e esse ano em Barcelona.

Queria agradecer a todos e todas que nos visitaram nesse período: Pri, Lucas, Fer, Du, Re, Grego, Tati, Gusso, amigo que vendia violinos, Matheus, Fernanda, Josephina, Thiago, Pai, Mãe, Johnny, Tia Márcia, Tio Carlos, Dan, Carol, Susi, Keith, Milan, Claudemir, Vini e Jacque da Suécia, Ben, Sara, Giulia, Federica, Carol e Alf. Também aos que passaram por Barcelona mas não ficaram aqui em casa: Jasper, Rosana, Kethy, prima da Kethy, Sheila, Léo, Jonathan, Marie, Black, Manuel, Carlinhos, Ellen, Nati, Simon, Thais (desculpa se tá faltando alguém, foram muitos) e aos que tantos que, se Deus quiser, estão por vir.

Por último e mais importante, meu muito obrigada aos meus roomies, mini família e companheiros de vida Oli e Gu, que abrem seus braços junto com os meus para receber toda essa gente linda.

E pra quem tem planos de vir, é só chegar! Nossas portas e corações estarão sempre abertos para quem é do bem! Vem que tem um sofá macio, colchão de ar e muito amor pra dar.

Que venha um novo ano com muitas novas estadias na Rambla 16! ❤

Quando vocês se vão

Quando vocês se vão, ficam os olhos marejados,

O calor do último abraço dado,

Que de tão apertado, junta os pedaços de mim que a despedida separou.

 

Quando vocês se vão, fica o sabonete pela metade no chuveiro,

O cheiro bom no travesseiro,

Que não dá vontade de lavar.

 

Quando vocês se vão, ficam os presentes e bilhetes trocados,

As moedas de poucos centavos,

Que aí não servirão.

 

Quando vocês se vão, ficam os vinhos que não brindamos,

As histórias que não contamos,

Que na próxima vez temos que lembrar.

 

Quando vocês se vão, fica a escova esquecida no banheiro,

As flores que comprei para recebê-los,

Já começando a murchar.

 

Quando vocês se vão, ficam as fotos e vídeos no celular,

Tantas memórias boas,

Gostosas de recordar.

 

Quando vocês se vão, ficam as músicas que cantamos juntos,

As perguntas sobre tantos assuntos,

Que não terminamos de conversar.

 

Quando vocês se vão, fica o nó na garganta,

O resto daquela janta,

Que sobrou pra eu esquentar.

 

Quando vocês se vão, ficam as saudades,

A distância entre as nossas cidades,

Que só o tempo vai encurtar.

 

Quando vocês se vão, é difícil não chorar,

Que sem vocês fica um vazio tão grande,

Que só o próximo abraço poderá curar.

 

da sua filha, Maria Alice.

Oi!

Eu gosto de compartilhar. Desde que me conheço por gente sou assim. Gosto de contar o que aconteceu no dia, no final de semana, nas férias. Gosto de dividir as experiências, jogar conversa fora, falar de tudo um pouco.

Volta e meia me pego tentando resgatar lembranças de um determinado período da vida e o máximo que encontro são algumas poucas fotos tiradas e esquecidas em um HD, e-mails enviados e uma ou outra carta guardada no fundo da gaveta. Como a minha memória é péssima, a ideia desse blog é registrar um pouco do que vivo, penso e do que me chama atenção por ai.

Seja bem vinda (o),

Maria Alice

🙂