Bangkok

Estamos no coração de Bangkok. Mais especificamente, no meio de Chinatown.

Chegamos ontem de madrugada e a cidade ainda vibrava com o trânsito intenso e cintilava ao reflexo dos infinitos letreiros de neon. Na rua, os trabalhadores das barraquinhas finalmente encerravam o expediente. Alguns sentavam para comer enquanto outros recolhiam as mesas e cadeiras das calçadas. Depois da perfeição quase blasé de Singapura, a Tailândia nos recebeu com muitos cheiros, barulhos e o caos digno de um lugar cheio de vida. Bem mais aconchegante.

O hostel fica ao lado de uma casa de massagens e logo em frente a um restaurante de ensopado de barbatana de tubarão. Se o outro lado do mundo tem uma cara, é essa.

Esse é o nosso último destino antes de voltar a Barcelona – e últimos destinos são sempre um tanto prejudicados. Seja pela pouca energia ou dinheiro restantes ou por já estarmos mais acostumados com “o diferente”. Mas Bangkok não me parece o tipo de lugar que passaria despercebido.

É manhã.

Já dancei no chuveiro desse banheiro com paredes mal pintadas, tomei café e refiz o meu curativo na perna. Estamos deitados, meu cabelo ainda molhado enrolado na toalha e o corpo descansando só mais um pouquinho. A pele gelada pelo ar condicionado, fugindo do mormaço quente que insiste em entrar pela fresta da janela.

Deveríamos ter saído, mas estamos aqui escutando uma versão esquisita de “Come as You Are” do Caetano e jogando conversa fora. Essa ânsia de querer ver tudo às vezes nos impede de sentir a energia singular de cada lugar. Por isso, volta e meia vamos mais despacito, suave, suavecito.

Até porque vejo uma graça toda especial em estar em meio a tanto para descobrir e ainda assim não ter pressa. Os instantes antes de sair para explorar a cidade sobra a qual tanto li e pesquisei tem um charme sutil. Sinto como se estivesse guardando as últimas páginas do meu livro preferido só para viver mais um pouco na ignorância de não saber o desfecho.

Então lá vamos: a desvendar o não-mistério dessa cidade grande do lado de cá.

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6 meses em Londres

Nessa segunda feira completei 6 meses aqui. 6 meses que passaram voando, 6 meses que poderiam ser 6 anos se a gente contasse o tempo com sentimento ao invés de minuto.

Fiz esse vídeo – o segundo dá série “Um minuto por aí” (se você não viu o primeiro clica aqui) – pra mostrar alguns dos momentos que marcaram esses últimos meses. Espero que gostem 🙂

 

Cheguei em Londres em um domingo frio de dezembro, com duas malas, muitas saudades e ansiosa pelo que estava prestes a conhecer. Já tinha vindo duas vezes pra cá, como turista, pra ficar uns 4 ou 5 dias, mas essa vez era diferente. Dessa vez eu tinha saído de casa “de verdade”, pra morar na capital inglesa dividindo um apê de 15m2 com o Oliver, sem data pra voltar.

Depois de três semanas de muita loucura e correria de visto, aviso prévio e mudança, finalmente cheguei. Nosso reencontro no aeroporto de Heathrow foi meio surreal. Não conseguia acreditar que tudo tinha dado certo, que todos os meus bens acumulados nos 21 anos de vida estavam ali naquelas duas malas meio vazias e que finalmente estavamos juntos.

O Oli tinha preparado um kit de boas vindas pra mim, com as chaves de casa, um Oyster card, um chip de celular e um cartão dos Minnions. Pegamos o metrô e uma hora e tanto depois chegamos em Wembley, meu então novo bairro, carinhosamente apelidado por nós de “Campo Largo de Londres” devido a sua distância do centro da cidade. O prédio era (e é) novinho e o apartamento pequeno mas aconchegante e estava decorado com balões e uma faixa de boas vindas.

Tomei um banho rapidinho e saímos ver as luzes de Natal na Oxford Street, jantamos na casa de alguns amigos e voltamos para casa exaustos. Na manhã seguinte eu tinha uma entrevista de trabalho (que deu certo!), depois encontramos minha prima Raquel que estava aqui a passeio e voltamos para casa arrumar nossas mochilas para, na manha seguinte, partir para o Marrocos. Tudo isso em menos de 24 horas.