Smoothie Bowls de Bali

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Nessa nossa ida para o outro lado do mundo, um dos principais souvenirs que trouxemos de viagem foi a inspiração para cozinhar, preparar e utilizar novos ingredientes.

Quando viajamos, sempre fico na expectativa para saber o que/onde vamos comer. Gosto de pesquisar alguns restaurantes, escolher os hostels com base na avaliação do café da manhã e, quando dá tempo,  ir ao supermercado ou à alguma feira local pra ver o que as pessoas comem mesmo. Me desculpem as estrelas Michelin, mas quanto mais pé sujo e autêntico for, melhor.

Confesso que quando pensava em Ásia, imaginava que iríamos provar mil temperos com nomes diferentes e bizarros, que tudo seria muito apimentado e exótico. Claro que a Ásia é um continente imenso e de uma diversidade imensa entre culturas e países, mas quem nunca generalizou que atire a primeira pedra, né não?

Nosso primeiro destino foi Bali, uma das 17 mil ilhas da Indonésia. De maneira geral, a população lá não tem acesso a ingredientes muito caros ou específicos – eles vivem muito próximos da linha de pobreza, fazendo com que tenham que aproveitar ao máximo tudo que é dado pela natureza da ilha.

Além de serem ingredientes tão simples e conhecidos por nós – principalmente pela semelhança do clima e das florestas tropicais – os preparos pareciam simples e fáceis, então volta e meia eu estava anotando as receitas pra tentar em casa quando voltássemos. Tenho bastante coisa para compartilhar e várias fotos lindas da Susi para ilustrar (amém!), então vou começar pelo começo:

O café da manhã é minha refeição preferida e, para a minha alegria, é uma das mais completas de Bali. Todas as noites eu ia dormir na expectativa das panquecas, smoothies, saladas de frutas, geléias e kopi Bali (café) que viriam com o nascer do sol.

Os smoothie bowls foram meus preferidos. Eram sempre um mix de frutas, entre elas mamão papaia, banana congelada, morangos, pitaia, mirtilos e/ou o que estivesse disponível no dia. Como o leite animal é muito caro, eles acabam usando leite de castanha de caju, amêndoas ou coco nos preparos.

Depois de alguns testes em casa, aqui vai a minha receitinha:

SMOOTHIE BOWL 

>> ingredientes: 

2 bananas grandes congeladas em pedaços

1 pedaço médio de mamão papaia

1/2 pitaia de polpa vermelha

1/2 xícara de leite de castanha de caju (veja a receita aqui)

1 banana cortada em rodelas para colocar por cima

toppings da sua preferência. eu uso frutas, granola, frutas secas, amêndoas, chia, coco em tiras ou ralado – o que tiver no armário. Dá pra liberar a criatividade 🙂

>> como fazer:

é muito difícil mas tenha fé, rs

põe tudo (menos as frutas em rodelas e os toppings) no liquidificador ou no mixer. bate até ficar homogêneo. se precisar, adicione mais leite

coloque no bowl e adicione os toppings com carinho

voìla!

>> comentários:

você pode fazer com as frutas que tiver em casa. o importante é congelar a banana para ficar com a textura legal

o leite não precisa ser necessariamente vegetal, use o leite que preferir

a pitaia pode ser difícil de encontrar. ela dá essa cor linda da foto mas não altera tanto o sabor, podendo ser substituída tranquilamente por morangos

essa é uma outra versão que eu fiz utilizando mirtilo, morango, granola caseira e coco ralado 🙂

começar o dia com um café da manhã assim já faz toda a diferença! faça um teste no domingão

é isso amigxs, espero que gostem!

UM BEIJÃO E ATÉ MAIS

 

 

Leite de Castanha de Caju

Oi gente, turubon?

Ando fazendo uns experimentos na cozinha e decidi compartilhar e registrar algumas receitinhas aqui. Sou uma iniciante nas panelas, faço muitos testes utilizando meus roomates e amigos como cobaias. Às vezes dá certo.

Prometo só postar aqui as coisas fáceis, práticas e que não mataram ninguém, hehe.

Essa tá facin facin:

leite de castanha de caju:

>> ingredientes: 

1 xícara de castanha de caju sem sal

3 xícaras de água mineral

1 pitada de sal ou

1 tâmara (se quiser fazer um leite mais adocicado)

>> como fazer:

1- deixe as castanhas de molho na água por 2 horas – adicione a tâmara caso queira um leite mais doce

2- descarte a água 

3- bata no liquidificador as castanhas com 3 xícaras de água – vá adicionando a água aos poucos

4- coe em um coador de pano (o resíduo pode ser utilizado para outras receitas como ricota vegetal)

Voìla! Temos um leite vegetal que pode ser utilizado como base para vários outros preparos 🙂

 

BEJÃO ATÉ A PRÓX

Bangkok

Estamos no coração de Bangkok. Mais especificamente, no meio de Chinatown.

Chegamos ontem de madrugada e a cidade ainda vibrava com o trânsito intenso e cintilava ao reflexo dos infinitos letreiros de neon. Na rua, os trabalhadores das barraquinhas finalmente encerravam o expediente. Alguns sentavam para comer enquanto outros recolhiam as mesas e cadeiras das calçadas. Depois da perfeição quase blasé de Singapura, a Tailândia nos recebeu com muitos cheiros, barulhos e o caos digno de um lugar cheio de vida. Bem mais aconchegante.

O hostel fica ao lado de uma casa de massagens e logo em frente a um restaurante de ensopado de barbatana de tubarão. Se o outro lado do mundo tem uma cara, é essa.

Esse é o nosso último destino antes de voltar a Barcelona – e últimos destinos são sempre um tanto prejudicados. Seja pela pouca energia ou dinheiro restantes ou por já estarmos mais acostumados com “o diferente”. Mas Bangkok não me parece o tipo de lugar que passaria despercebido.

É manhã.

Já dancei no chuveiro desse banheiro com paredes mal pintadas, tomei café e refiz o meu curativo na perna. Estamos deitados, meu cabelo ainda molhado enrolado na toalha e o corpo descansando só mais um pouquinho. A pele gelada pelo ar condicionado, fugindo do mormaço quente que insiste em entrar pela fresta da janela.

Deveríamos ter saído, mas estamos aqui escutando uma versão esquisita de “Come as You Are” do Caetano e jogando conversa fora. Essa ânsia de querer ver tudo às vezes nos impede de sentir a energia singular de cada lugar. Por isso, volta e meia vamos mais despacito, suave, suavecito.

Até porque vejo uma graça toda especial em estar em meio a tanto para descobrir e ainda assim não ter pressa. Os instantes antes de sair para explorar a cidade sobra a qual tanto li e pesquisei tem um charme sutil. Sinto como se estivesse guardando as últimas páginas do meu livro preferido só para viver mais um pouco na ignorância de não saber o desfecho.

Então lá vamos: a desvendar o não-mistério dessa cidade grande do lado de cá.

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Apartamento 1001

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Texto de Julho de 2017

Não sei dizer exatamente há quanto tempo o Apê 1001 está na nossa família. Eu arriscaria dizer uns 30 anos, mais ou menos. Mas a verdade é que o tempo cronológico pouco importa quando pensamos em todas as histórias e “causos” vividos ali.

Localizado no centro de Curitiba, na rua Lourenço Pinto (nome que rendeu algumas risadas de nós primos) o 1001 é um pequeno apartamento de dois quartos, sala, banheiro e uma cozinha com uma “lavanderiazinha”. Deve ter seus 70 metros quadrados.

Inversamente proporcional ao seu tamanho, porém, é a sua capacidade de abrigar pessoas. O apartamento já foi lar de muita gente, inclusive meu durante os primeiros 6 meses que vivi na capital. Morávamos em 6 + 1: Eu, Mãe, Pai, Johnny, Sarah, Ruth e Gustavo, que dormia no apê uns andares pra baixo mas passava o dia inteiro com a gente. Dividíamos sofá cama, quarto, armário, talheres, nega-maluca e vitamina de banana no final da tarde, sopa nas noites frias e os desafios da mudança de cidade. Foram 6 meses intensos e que ficaram bem marcados na memória.

No meio de conversas de família, volta e meia alguém menciona o período que também passou acampado, hospedado ou morando ali. No início até me surpreendia e achava graça na coincidência: “- SÉRIO, você também morou lá?!” mas hoje já acho estranho mesmo falar com gente que não tenha passado pelo menos alguns dias naquele cantinho no décimo andar.

Os motivos e a duração das estadias foram dos mais diversos: sobrinhos fazendo vestibular, cursinho ou começando a faculdade, cunhado com novo trabalho, irmãos fazendo especialização, prima fazendo curso, primo em reunião ou entrevista de trabalho, tios com visitas médicas marcadas, pós-operatórios, batizados e crismas, crises, visitas breves (outras nem tão breves assim), mudança de vida e êxodo rural, pra citar alguns. Tem gente que veio por dias e ficou meses, gente que veio por meses e ficou anos e também os que não criaram raízes, mas que sempre tiveram a segurança de saber que independente do que ocorresse, o 1001 estaria ali para segurar a barra quando fosse necessário.

Seria injusto falar do 1001 sem mencionar sua proprietária, gestora e idealizadora: Rejane Teresinha, mais conhecida como Tia Chane, a quem tenho a sorte de poder chamar de Madrinha. Se alguém tem coração de mãe, essa pessoa é a Tia. Durante todos esses anos de 1001, ela recebeu, acolheu, aconselhou e também deu algumas boas lições para os que compartilharam do seu lar. Nos cuidados, carinhos e no apartamento dela, sempre coube mais um (mesmo que bem apertadinho).

Já faz mais de ano que a Tia comprou um novo apartamento. Diferente do nosso querido 1001, o novo lar é espaçoso, tem cobertura e até uma piscininha. Entre reformas e vai-e-vens de coisas, só essa semana ela se mudou para lá oficialmente. Foi organizando lenta e pacientemente o novo espaço e sem pressa alguma, se despedindo pouco a pouco do antigo endereço.

Por um momento não entendi bem o porque da demora. Ela dizia que faltava isso e aquilo, que sempre tinha algum detalhe para acertar e que na próxima semana isso se resolveria. Mas, no fundo no fundo, ela bem sabia que seus dias no 1001 estavam no último minuto do acréscimo.

Passaram-se semanas e alguns meses até a derradeira e inevitável despedida. Ontem, no almoço de domingo, inaugurou-se o 701 – o sucessor de toda uma era. Quando conversamos por Skype, vi toda a família reunida ali no novo sofá, não poderia ter ficado mais claro: Madrinha, seu lar, seja ele onde for, é só uma extensão do seu enorme coração. Enquanto houver a sua presença, seu jeito acolhedor e os seus braços sempre abertos o 1001 estará sempre vivo em nós.

Um muito obrigada em nome de todos os que tiveram a sorte de dividir seu lar contigo. E vida longa ao 701!!!

 

Outono

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Depois de longos meses de verão, com sol forte das seis da manhã às nove e meia da noite, setembro chegou com novos tons para dar cor à nossa vida. O calor intenso foi nos deixando aos poucos e a brisa de outono veio com ar de renovação.

Ainda me é estranha essa ideia de começar um ‘novo ano’ em um mês que não seja Janeiro. Mas aqui funciona assim. Termina o verão, acabam as férias, começa o ano letivo. Gente nova chega na cidade aos montes e vários amigos vão embora. Parece até final de Malhação: o cenário continua mais ou menos o mesmo, mas só fica um ou outro personagem. Apelidamos esse recomeço carinhosamente de Segunda Temporada.

Nesse meio tempo, as portas da nossa casa estiveram bem abertas e vários amigos passaram por aqui, um atrás do outro, pra não perder o costume.

Na segunda metade do mês, em uma noite no meio da semana, fui buscar a Nanda na Plaza Catalunya. Sem dúvidas uma das visitas que mais esperei: depois de mais de dez anos de amizade, era a primeira vez que conseguiríamos fazer uma viagem juntas. Já era quase uma da manhã quando ela finalmente saiu do ônibus toda descabelada, com seus óculos tortos, chinelo de pelo, sorriso largo e alma reluzindo como sempre. Acon-chegou.

Receber pessoas aqui sempre me abre os olhos para detalhes da cidade que ainda não tinha reparado ou que já acostumei a ver. É um exercício interessante esse de tentar ver as coisas como se fosse a primeira vez, porque se for parar pra pensar, sempre é a primeira vez.

No meio de toda confusão dos quatro voos perdidos e outras tantas passagens alteradas, Nanda ficou só cinco dias por aqui. Apesar de curto, o tempo que passamos juntas foi aproveitado bem demais. Fomos aos meus bares e restaurantes preferidos, aos eventos da Fiesta de la Mercé, caminhamos pelos bairros antigos. Fomos à praia, museus e a um parque de diversões daqueles itinerantes – comemos algodão doce e passamos mal em um brinquedo desses que joga a gente pro alto sem cinto de segurança e todo mundo acha que tá ok, tá bacana, tá seguro. Fiquei com uns hematomas nas costelas, perdemos um pé do chinelo de pelo, saímos tontas.

Conversamos por horas de madrugada, em cafés, na rua. Fotografamos e usamos as roupas uma da outra, igualzinho como fazíamos aos 12 anos de idade. Quando eu achava que íamos parar para descansar, a Nanda sempre queria em algum outro lugar, fazer qualquer outra coisa – se pudesse ser de moto, melhor – S.O.S. Juro que tem vezes que não sei de onde vem tanta energia.

Teve um dia no meio desses todos que foi ainda mais especial. Era aniversário do Thomas, namorado da Ana. Fomos a um restaurante comer tapas e tomar cerveja. Chegando lá encontramos a Thais, uma amiga que estudei junto na facul e no colégio, que nos esperava. Não nos víamos há uns dois anos, segundo nossos cálculos.

A Thais veio fazer uma viagem pela Espanha, começando e terminando por Barcelona, passando por Mallorca, Madrid, Granada e Sevilla. Ela queria fazer uma viagem, seus possíveis acompanhantes estavam todos trabalhando e ela tinha o tempo e o dinheiro. A turnê da banda preferida dela, os Rolling Stones, passaria por aqui. Ela comprou o ingresso e as passagens e veio sozinha mesmo. Gosto de gente assim.

Conversa vai, conversa vem, entre tapas e beijos, cervejas e sangrias, saímos do restaurante e passamos em um bar de chupitos onde cada um pagou uma rodada de shots – fomos embora depois do oitavo, pelo bem de todos. Já não tão sóbrios, decidimos caminhar até uma festa, uns 2km dali. Pelas ruas largas do Eixample fomos dançando cantando e dançando hits antigos à capela – de Tim Maia a Smash Mouth.

Uma combinação improvável de pessoas em um desses momentos únicos, simples e inesperados.  A alegria e a energia eram tão boas que deu vontade de reviver o momento em looping eterno. Na UltraPop – melhor substituta do V.U até agora – dançamos até as pernas não aguentarem mais e a Thais (que tinha vindo direto do aeroporto) já não conseguisse ficar de olhos abertos. No dia seguinte, curamos a ressaca com um baita brunch de panquecas cheias de syrup e logo estávamos prontos para a próxima.

Em momentos como esse percebo como eu sou uma pessoa de pessoas (people’s-person definitivamente soa melhor). Nesses quase dois anos fora, aprendi a ser um pouco mais auto-suficiente, mas não tem nada que me faça mais completa do que estar ao lado de gente boa que eu amo.

Antes da Nanda ir embora, sentamos em um bar numa praça no meio do Raval, pedimos um café e eu abri meu coração mais uma vez. Coloquei um monte de coisas pra fora e, de repente, meio que como mágica, as coisas fizeram sentido. É engraçado como às vezes a gente precisa verbalizar os sentimentos para se entender melhor. Foi com essa clareza e com palavras de incentivo e carinho que nos despedimos.

Acho que uma das melhores partes de estar com amigos antigos é essa sensação de reencontro com as partes de nós mesmos que se ficaram esquecidas em algum canto. Obrigada Setembro.

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Conversa com Chimamanda

Já faz mais ou menos um mês que uma amiga me avisou sobre a talk da Chimamanda que iria rolar aqui no CCCB (Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona). Fiquei super animada e corri comprar os ingressos que já estavam quase esgotados. Chimamanda Ngozi Adichi é uma escritora nigeriana bastante conhecida por tratar de questões de gênero e raça – sendo uma das grandes vozes do feminismo contemporâneo.

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Saí tarde do trabalho e o Oliver já me esperava na portaria. Apertamos o passo e chegamos ao teatro no primeiro minuto da conversa. Já de cara deu para sentir o entusiasmo da platéia, com olhos e ouvidos atentos a cada palavra e movimento da protagonista da noite.

Chimamanda nasceu e viveu na África Ocidental até seus quase 20 anos, quando conseguiu uma bolsa para estudar comunicação nos Estados Unidos. Depois de terminar a graduação, publicou alguns contos e até um livro de poesia, mas foi só aos 26 anos que escreveu seu primeiro romance, o Purple Hibiscus. Já na sua estreia como novelista, ela foi bastante aclamada pelos críticos e recebeu uma série de indicações e prêmios de literatura.

Mas foi só em 2009, quando fez sua primeira TEDTalk, “O perigo das histórias únicas”, que ela ganhou mais notoriedade internacional. Se você ainda não teve a oportunidade, faz um chazinho, senta no sofá e dá um play aqui porque vale a pena:

E eu lá, sentada em meio a uma plateia cheia de mulheres de diversas idades, nacionalidades e histórias, tive a sorte de poder sentir um pouco da energia incrível que ela transmite. Confesso que não fui introduzida a nenhum novo fundamento feminista ou qualquer coisa do tipo, mas a força com que suas palavras envolvem, motivam e provocam o público me surpreenderam.

Uma das coisas que eu mais gosto na literatura e no discurso da Chimamanda é a maneira como ela abre um diálogo sobre temas importantíssimos de maneira bem-humorada e bastante didática. Segundo ela, não há porque utilizar termos técnicos ou de difícil compreensão para falar de feminismo e racismo –  temas tão comuns e presentes no nosso dia a dia. É muito melhor conscientizar através de exemplos e histórias reais.

Pensando nisso, ela também escreveu os livros Todos devemos ser feministas (2014), baseado em sua outra TEDTalk, e Para educar crianças feministas – um manifesto (2017), um livro-carta com 15 sugestões dadas a uma amiga sobre como criar sua filha seguindo alguns princípios do feminismo. São livros super fáceis e rápidos de ler, e ilustram bem várias situações com as quais estamos acostumadas a nos deparar.

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Não vou dar muito spoiler sobre os livros, mas dá pra ter uma ideia do manifesto dela ao ouvir a música Flawless, da Beyoncé, inclui um dos trechos da autora:

“We teach girls to shrink themselves, to make themselves smaller. We say to girls: – You can have ambition, but not too much. You should aim to be successful, but not too successful, otherwise you will threaten the man.

Because I am female I am expected to aspire to marriage, I am expected to make my life choices always keeping in mind that marriage is the most important. Now marriage can be a source of joy and love and mutual support, but why do we teach girls to aspire to marriage and we don’t teach boys the same?

We raise girls to see each other as competitors. Not for jobs or for accomplishments, which I think can be a good thing, but for the attention of men. We teach girls that they cannot be sexual beings in the way that boys are.

Feminist: the person who believes in the social, political and economic equality of the sexes.”

Durante a conversa, ela comentou que, apesar de algumas polêmicas envolvendo Flawless, resolveu ceder os direitos de uso do seu discurso com a intenção fazer chegar sua meAmericanahnsagem a um público que talvez não tivesse acesso a ele de outra maneira e, dessa forma, “plantar sua sementinha” para outras jovens.

Já em Americanah, seu último romance publicado, ela conta a história de Ifemelu, uma jovem nigeriana que vai estudar nos Estados Unidos (coincidência?) e se depara com as dificuldades de ser negra, mulher e imigrante. A personagem tem personalidade forte e, aparentemente, não agrada a todos. Quando questionada sobre isso, Chimamanda rebate:

“- Eu não a criei para que ela fosse agradável, e sim para que fosse autêntica. Muitas pessoas me dizem que leram o livro e não gostaram da protagonista. Eu fico feliz. Estamos acostumadas a achar que as mulheres têm que se adaptar para agradar a todos, que devem ser dóceis e gentis. Por outro lado, vejo romances como Lolita, por exemplo, onde o protagonista em questão se “apaixona” por uma menina de 12 anos e, de alguma maneira, consegue a simpatia do leitor. Aí já podemos perceber como existem dois pesos e duas medidas diferentes para homens e mulheres.”

De acordo com ela, escrever Americanah foi libertador. Por já ter publicado livros abordando temas que considerava de sua obrigação tratar (como a guerra civil na Nigéria, por exemplo), ela se permitiu escrever um romance exatamente como tinha vontade. Sem se preocupar tanto com o-que-achava-que-tinha-que-dizer ou com o politicamente correto, ela escreveu o que queria e curtiu o processo: “Tiveram vezes que ri tanto das minhas próprias piadas e histórias que achei que estava ficando louca”. Foi com essa determinação, naturalidade e bom humor que ela respondeu a maioria das perguntas, sempre arrancando aplausos do público.

A única foto que consegui tirar :B

É sempre especial colocar cara nas pessoas – como dizem por aqui. Ver, ouvir e perceber as diferentes nuances das pessoas que admiramos por uma perspectiva mais real, próxima e humana. Não são só palavras em um papel, ou um vídeo na tela do celular. É a presença, o contato e a energia que fazem toda a diferença.

Por último, Chimamanda respondeu uma pergunta sobre sua rotina como escritora. Disse admirar aqueles autores que conseguem ter horários bem definidos e criar algo todos os dias. Tem vezes que, quando a inspiração vem, ela passa o dia de pijama escrevendo até não poder mais. Já em outros momentos menos iluminados, prefere focar em atividades diferentes e dar tempo ao tempo.

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Quando perguntada sobre se está ou não escrevendo novos livros, ela preferiu não dar spoilers e desabafou sobre a pressão externa que surge quando revela novos projetos. Disse que essa cobrança para entregar resultados a atrapalha muito e faz crescer a ansiedade que já é quase intrínseca ao processo criativo, além sentir que fica mais vulnerável a energias externas que nem sempre são positivas.

Já escrevi demais né? Pra resumir, foi lindo. Depois da palestra rolou uma sessão de autógrafos onde ficou ainda mais claro o exemplo que ela é para muitas jovens. Sai de lá ainda mais fã, com vontade de ler todos os livros e inspirada pelo exemplo dessa mulher que questionou e superou os tantas barreiras e hoje está aí, iluminando as ideias de muita gente.

Por um mundo com mais Chimamandas e menos histórias únicas!

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“ – A ficção me brinda com uma alegria tão grande, tão rara. Eu quero escrever até morrer. Se eu não pudesse escrever, preferiria não viver.”                      Chimamanda Ngozi Adichi

 

 

 

 

 

Beijos,

Maria Alice

Irmãs Sorlet

Uma das ideias desse blog, dentre as tantas que vem surgindo pouco a pouco, é compartilhar coisas que me chamam a atenção por aí, que acho interessante ou que, por algum motivo, me trazem algo de novo ou especial.

Hoje queria dividir com vocês o trabalho lindo das irmãs Agathe e Lorraine Sorlet. As gêmeas francesas são ilustradoras e animadoras, formadas na L’École de L’Image Gobelinsreferência em comunicação digital, design interativo e entretenimento – em Paris.

As duas retratam, cada uma com sua linguagem própria, mulheres em diferentes contextos – sempre de maneira delicada e sutil, com um toque de humor.

Lorraine 4 Lecture d'amour 3

Lecture d’amour 3 – Lorraine Sorlet

Primeiro descobri a Lorraine. Amei as cores que ela usa e o jeito como representa situações cotidianas em pequenos fragmentos super expressivos. A série de leituras sobre o amor e as de casais são demais, mas as minhas preferidas ainda são as que retratam mulheres, onde os olhares e gestos falam muito por si só. Dá uma olhada:

 

Your Arms

 

Captura

A Agathe eu descobri por acaso, quando vi que as duas estavam fazendo uma exposição juntas – a “Sisters” – e me apaixonei. Diferente da irmã, ela usa mais o humor, explora o corpo feminino, os hábitos, o nu e a sexualidade mais livremente e me faz sorrir com seus gifs no Instagram.

 

 

 

A verdade é que não tenho mais muita informação sobre elas. Só sei que achei tudo lindo, leve e despretensioso. Tá difícil escolher qual encomendar pra pendurar em casa!

Pra conhecer um pouco mais do trabalho delas (ou comprar um print pra sua parede também):

http://lorrainesorlet.tictail.com/

http://agathesorlet.tictail.com/

e no Instagram:  @lorrainesorlet @agathesorlet

Beijos,

Maria Alice