Irmãs Sorlet

Uma das ideias desse blog, dentre as tantas que vem surgindo pouco a pouco, é compartilhar coisas que me chamam a atenção por aí, que acho interessante ou que, por algum motivo, me trazem algo de novo ou especial.

Hoje queria dividir com vocês o trabalho lindo das irmãs Agathe e Lorraine Sorlet. As gêmeas francesas são ilustradoras e animadoras, formadas na L’École de L’Image Gobelinsreferência em comunicação digital, design interativo e entretenimento – em Paris.

As duas retratam, cada uma com sua linguagem própria, mulheres em diferentes contextos – sempre de maneira delicada e sutil, com um toque de humor.

Lorraine 4 Lecture d'amour 3
Lecture d’amour 3 – Lorraine Sorlet

Primeiro descobri a Lorraine. Amei as cores que ela usa e o jeito como representa situações cotidianas em pequenos fragmentos super expressivos. A série de leituras sobre o amor e as de casais são demais, mas as minhas preferidas ainda são as que retratam mulheres, onde os olhares e gestos falam muito por si só. Dá uma olhada:

 

Your Arms

 

Captura

A Agathe eu descobri por acaso, quando vi que as duas estavam fazendo uma exposição juntas – a “Sisters” – e me apaixonei. Diferente da irmã, ela usa mais o humor, explora o corpo feminino, os hábitos, o nu e a sexualidade mais livremente e me faz sorrir com seus gifs no Instagram.

 

 

 

A verdade é que não tenho mais muita informação sobre elas. Só sei que achei tudo lindo, leve e despretensioso. Tá difícil escolher qual encomendar pra pendurar em casa!

Pra conhecer um pouco mais do trabalho delas (ou comprar um print pra sua parede também):

http://lorrainesorlet.tictail.com/

http://agathesorlet.tictail.com/

e no Instagram:  @lorrainesorlet @agathesorlet

Beijos,

Maria Alice

 

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Primeiros 10km

Ontem foi um domingo especial.

Acordei cedo e, com muito esforço, consegui acordar o Oli uns minutos depois. Vestimos nossas roupas de corrida e as camisetas da “Cursa de la Mercè”, passamos um café no filtro e eu fiz um queijo quente pra nós. Colamos nossa dorsal com uma fita mequetrefe e, ainda meio sonolentos, pegamos o metrô para a Plaça d’Espanya.

Chegando lá, encontramos uns amigos e nos infiltramos entre as baterias dos 55’ e dos 60’. Por um momento, pensei que seria bem legal se conseguíssemos terminar os 10 Km perto desse pessoal. Batemos um papo esperando a largada e, com a contagem regressiva em catalão, começamos a correr devagarinho até passarmos pela surtida oficial.

Logo nos primeiros minutos nos perdemos dos nossos amigos, que dispararam com o pelotão da frente. Corremos tranquilos, começando com mais velocidade e baixando o ritmo aos poucos. A cidade estava linda, o sol forte e uma brisa fresca de início de outono. O som das passadas das quase 12 mil pessoas animava mais do que qualquer música.

No meio desse povo tinha gente de todo tipo: crianças, jovens, velhinhos, mães correndo com bebê no carrinho, cadeirantes e famílias inteiras – confirmando mais uma vez que a corrida é um esporte pra quem quiser.

Passamos pela Gran Via, Arco do Triunfo, Praça da Catalunya e terminamos de volta na Fonte Mágica de Montjuic. Dá pra dizer que o último km (na subida) foi o que pesou um pouco nas pernas. Mas após  1 hora e 1 minuto, cruzamos a linha de chegada.

Mapa do Trajeto

Como nas últimas semanas já estávamos fazendo treinos mais longos, não foi surpresa chegarmos inteiros ao final da prova. Ainda assim, acabamos com um gostinho de vitória – tendo feito nossos quilômetros mais rápidos até hoje. Essa é uma das coisas que eu mais gosto na corrida: a possibilidade que cada um tem de praticar do seu jeito, superando os seus limites e alcançando as próprias metas (e depois dobrando, rs) – sejam elas quais forem.

Felizes e suados após a chegada

Há bem pouco tempo, eu mal conseguia correr 500m sem ficar ofegante. Jamais acreditaria se me dissessem que correria 5km direto (é mais do que uma volta inteira no Barigui), imagina então os 10. E aí que vem a graça. A corrida me ensinou a acreditar mais em mim, a me alegrar com cada pequena vitória, a ouvir meu corpo e a respeitar meu próprio tempo. É uma terapia de autoconhecimento.

Ontem foi um dia especial porque pude comemorar essa pequena vitória – que pode ser muito ou pouco para os outros – mas que é minha e para mim. Que venham os próximos desafios, quilômetros e alegrias nesse esporte que ganhou meu coração.

A melhor hora do dia

É assim emaranhado que a gente gosta de ficar.

Braço em baixo do pescoço do outro até formigar. Pernas entrelaçadas, mãos dadas e aquele lugarzinho no cangote que é melhor que qualquer travesseiro. Até melhor que o da NASA.

Esquentamos os pés quando frios, ajeitamos a coberta eternamente bagunçada. Roupa de cama arrumada virou parte de um sonho antigo.

À meia luz do abajur, terminamos assuntos, fazemos planos para o dia seguinte – que quase sempre incluem ir dormir mais cedo -, tomamos o resto do chá, conversamos mais um pouco, até que as pausas entre uma frase e outra fiquem demoradas e de repente, sejamos silêncio.

Tem dias que não dá vontade de dormir. Dá vontade de ficar ali, sentindo a pele na pele, a pele no lençol, com uma perna por baixo e outra por cima da coberta – que é pra controlar a temperatura.

Mas a gente tem o sono fácil.

Talvez pela quase exaustão dos dias que parecem intermináveis, talvez porque quando deito ao teu lado – finalmente – eu chego em casa.

“Tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,

Tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.”  – Pablo Neruda

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Flor & Ser

Nessas mini férias nós nos programamos para visitar a Provance e ver os campos de lavanda e de girassóis. Uns dias antes de ir, li uma notícia de que, devido ao verão mais quente que o esperado, as últimas colheitas foram antecipadas. Fiquei um pouco chateada. Ainda assim, encontramos alguns campos ainda floridos e outros que tinham recém sido replantados.

O que conclui: a natureza é perfeita e há beleza em todas as etapas da vida – no nascer, amadurecer, florir, morrer e recomeçar- cabe a nós respeitar e apreciar cada uma delas na sua singularidade. Está aí para todos nós.

Que bom que vocês chegaram!

Ontem fez um ano da nossa mudança aqui pra Barcelona, e a nossa comemoração não poderia ter sido mais apropriada: um jantar simples em casa, feito pela Carol, uma das nossas visitantes, para nós (eu, Oliver,Gu) e Alf. Apesar de termos conhecido a Carol e o Alf ontem mesmo, nossa jantinha foi digna de uma amizade de longuíssima data. A luz de velas, com vinho, boas risadas e “uns par” de boas histórias.

De todas as coisas incríveis que aconteceram durante ano aqui, essa foi a principal. Ter a oportunidade de receber amigos, família, conhecidos – e outros até então não tão conhecidos – que passaram a ocupar lugar especial em nossos corações. A cada visita, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais de perto esses seres especiais que, por algum ou vários motivos, cruzaram o nosso caminho.

Receber gente é um pequeno ritual: marcamos na agenda, arrumamos a casa, compramos mais comida, abrimos espaço. Varremos a casa, escrevemos uma mensagem nova no nosso letreiro, separamos a roupa de cama, eu acendo incenso, Oliver tira os lixos e o Gu arruma nosso armário da cozinha meticulosamente (?). Damos água pras plantas, lavamos a louça da pia e deixamos o ar entrar.

As visitas então chegam. Recebemos com abraços apertados, alegria e aquela vontade de passar dia e noite inteira conversando. Ajudamos com a programação turística, damos dicas, chave de casa, cartão da bicicleta. Levamos nos nossos restaurantes de tapas preferidos, nos lugares com as melhores vistas da cidade (bunkers!), no bar do flamenco, no bar do absinto e em outros cantinhos e ruas que a gente gosta de passar.

Tem vezes que não dá pra estar tão junto quanto gostaríamos, tem trabalho, aula ou algum compromisso desses que não dá pra fugir. Mas a gente sempre consegue ter nossos momentos especiais. Às vezes é uma conversa no sofá, uma caminhada pela praia ou um café da manha de domingo.

Dá uma alegria imensa poder receber todas essas pessoas no nosso lar e saber que elas se sentem à vontade dividindo um pouco do nosso espacinho e da nossa vida. Recebemos pessoas maravilhosas que nos deixaram de presente uma casa cheia, um coração quentinho, bons momentos, novas ideias, receitas, risadas e que, sem dúvidas, marcam de forma única a nossa vida e esse ano em Barcelona.

Queria agradecer a todos e todas que nos visitaram nesse período: Pri, Lucas, Fer, Du, Re, Grego, Tati, Gusso, amigo que vendia violinos, Matheus, Fernanda, Josephina, Thiago, Pai, Mãe, Johnny, Tia Márcia, Tio Carlos, Dan, Carol, Susi, Keith, Milan, Claudemir, Vini e Jacque da Suécia, Ben, Sara, Giulia, Federica, Carol e Alf. Também aos que passaram por Barcelona mas não ficaram aqui em casa: Jasper, Rosana, Kethy, prima da Kethy, Sheila, Léo, Jonathan, Marie, Black, Manuel, Carlinhos, Ellen, Nati, Simon, Thais (desculpa se tá faltando alguém, foram muitos) e aos que tantos que, se Deus quiser, estão por vir.

Por último e mais importante, meu muito obrigada aos meus roomies, mini família e companheiros de vida Oli e Gu, que abrem seus braços junto com os meus para receber toda essa gente linda.

E pra quem tem planos de vir, é só chegar! Nossas portas e corações estarão sempre abertos para quem é do bem! Vem que tem um sofá macio, colchão de ar e muito amor pra dar.

Que venha um novo ano com muitas novas estadias na Rambla 16! ❤

Quando vocês se vão

Quando vocês se vão, ficam os olhos marejados,

O calor do último abraço dado,

Que de tão apertado, junta os pedaços de mim que a despedida separou.

 

Quando vocês se vão, fica o sabonete pela metade no chuveiro,

O cheiro bom no travesseiro,

Que não dá vontade de lavar.

 

Quando vocês se vão, ficam os presentes e bilhetes trocados,

As moedas de poucos centavos,

Que aí não servirão.

 

Quando vocês se vão, ficam os vinhos que não brindamos,

As histórias que não contamos,

Que na próxima vez temos que lembrar.

 

Quando vocês se vão, fica a escova esquecida no banheiro,

As flores que comprei para recebê-los,

Já começando a murchar.

 

Quando vocês se vão, ficam as fotos e vídeos no celular,

Tantas memórias boas,

Gostosas de recordar.

 

Quando vocês se vão, ficam as músicas que cantamos juntos,

As perguntas sobre tantos assuntos,

Que não terminamos de conversar.

 

Quando vocês se vão, fica o nó na garganta,

O resto daquela janta,

Que sobrou pra eu esquentar.

 

Quando vocês se vão, ficam as saudades,

A distância entre as nossas cidades,

Que só o tempo vai encurtar.

 

Quando vocês se vão, é difícil não chorar,

Que sem vocês fica um vazio tão grande,

Que só o próximo abraço poderá curar.

 

da sua filha, Maria Alice.

6 meses em Londres

Nessa segunda feira completei 6 meses aqui. 6 meses que passaram voando, 6 meses que poderiam ser 6 anos se a gente contasse o tempo com sentimento ao invés de minuto.

Fiz esse vídeo – o segundo dá série “Um minuto por aí” (se você não viu o primeiro clica aqui) – pra mostrar alguns dos momentos que marcaram esses últimos meses. Espero que gostem 🙂

 

Cheguei em Londres em um domingo frio de dezembro, com duas malas, muitas saudades e ansiosa pelo que estava prestes a conhecer. Já tinha vindo duas vezes pra cá, como turista, pra ficar uns 4 ou 5 dias, mas essa vez era diferente. Dessa vez eu tinha saído de casa “de verdade”, pra morar na capital inglesa dividindo um apê de 15m2 com o Oliver, sem data pra voltar.

Depois de três semanas de muita loucura e correria de visto, aviso prévio e mudança, finalmente cheguei. Nosso reencontro no aeroporto de Heathrow foi meio surreal. Não conseguia acreditar que tudo tinha dado certo, que todos os meus bens acumulados nos 21 anos de vida estavam ali naquelas duas malas meio vazias e que finalmente estavamos juntos.

O Oli tinha preparado um kit de boas vindas pra mim, com as chaves de casa, um Oyster card, um chip de celular e um cartão dos Minnions. Pegamos o metrô e uma hora e tanto depois chegamos em Wembley, meu então novo bairro, carinhosamente apelidado por nós de “Campo Largo de Londres” devido a sua distância do centro da cidade. O prédio era (e é) novinho e o apartamento pequeno mas aconchegante e estava decorado com balões e uma faixa de boas vindas.

Tomei um banho rapidinho e saímos ver as luzes de Natal na Oxford Street, jantamos na casa de alguns amigos e voltamos para casa exaustos. Na manhã seguinte eu tinha uma entrevista de trabalho (que deu certo!), depois encontramos minha prima Raquel que estava aqui a passeio e voltamos para casa arrumar nossas mochilas para, na manha seguinte, partir para o Marrocos. Tudo isso em menos de 24 horas.