Bangkok

Estamos no coração de Bangkok. Mais especificamente, no meio de Chinatown.

Chegamos ontem de madrugada e a cidade ainda vibrava com o trânsito intenso e cintilava ao reflexo dos infinitos letreiros de neon. Na rua, os trabalhadores das barraquinhas finalmente encerravam o expediente. Alguns sentavam para comer enquanto outros recolhiam as mesas e cadeiras das calçadas. Depois da perfeição quase blasé de Singapura, a Tailândia nos recebeu com muitos cheiros, barulhos e o caos digno de um lugar cheio de vida. Bem mais aconchegante.

O hostel fica ao lado de uma casa de massagens e logo em frente a um restaurante de ensopado de barbatana de tubarão. Se o outro lado do mundo tem uma cara, é essa.

Esse é o nosso último destino antes de voltar a Barcelona – e últimos destinos são sempre um tanto prejudicados. Seja pela pouca energia ou dinheiro restantes ou por já estarmos mais acostumados com “o diferente”. Mas Bangkok não me parece o tipo de lugar que passaria despercebido.

É manhã.

Já dancei no chuveiro desse banheiro com paredes mal pintadas, tomei café e refiz o meu curativo na perna. Estamos deitados, meu cabelo ainda molhado enrolado na toalha e o corpo descansando só mais um pouquinho. A pele gelada pelo ar condicionado, fugindo do mormaço quente que insiste em entrar pela fresta da janela.

Deveríamos ter saído, mas estamos aqui escutando uma versão esquisita de “Come as You Are” do Caetano e jogando conversa fora. Essa ânsia de querer ver tudo às vezes nos impede de sentir a energia singular de cada lugar. Por isso, volta e meia vamos mais despacito, suave, suavecito.

Até porque vejo uma graça toda especial em estar em meio a tanto para descobrir e ainda assim não ter pressa. Os instantes antes de sair para explorar a cidade sobra a qual tanto li e pesquisei tem um charme sutil. Sinto como se estivesse guardando as últimas páginas do meu livro preferido só para viver mais um pouco na ignorância de não saber o desfecho.

Então lá vamos: a desvendar o não-mistério dessa cidade grande do lado de cá.

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Apartamento 1001

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Texto de Julho de 2017

Não sei dizer exatamente há quanto tempo o Apê 1001 está na nossa família. Eu arriscaria dizer uns 30 anos, mais ou menos. Mas a verdade é que o tempo cronológico pouco importa quando pensamos em todas as histórias e “causos” vividos ali.

Localizado no centro de Curitiba, na rua Lourenço Pinto (nome que rendeu algumas risadas de nós primos) o 1001 é um pequeno apartamento de dois quartos, sala, banheiro e uma cozinha com uma “lavanderiazinha”. Deve ter seus 70 metros quadrados.

Inversamente proporcional ao seu tamanho, porém, é a sua capacidade de abrigar pessoas. O apartamento já foi lar de muita gente, inclusive meu durante os primeiros 6 meses que vivi na capital. Morávamos em 6 + 1: Eu, Mãe, Pai, Johnny, Sarah, Ruth e Gustavo, que dormia no apê uns andares pra baixo mas passava o dia inteiro com a gente. Dividíamos sofá cama, quarto, armário, talheres, nega-maluca e vitamina de banana no final da tarde, sopa nas noites frias e os desafios da mudança de cidade. Foram 6 meses intensos e que ficaram bem marcados na memória.

No meio de conversas de família, volta e meia alguém menciona o período que também passou acampado, hospedado ou morando ali. No início até me surpreendia e achava graça na coincidência: “- SÉRIO, você também morou lá?!” mas hoje já acho estranho mesmo falar com gente que não tenha passado pelo menos alguns dias naquele cantinho no décimo andar.

Os motivos e a duração das estadias foram dos mais diversos: sobrinhos fazendo vestibular, cursinho ou começando a faculdade, cunhado com novo trabalho, irmãos fazendo especialização, prima fazendo curso, primo em reunião ou entrevista de trabalho, tios com visitas médicas marcadas, pós-operatórios, batizados e crismas, crises, visitas breves (outras nem tão breves assim), mudança de vida e êxodo rural, pra citar alguns. Tem gente que veio por dias e ficou meses, gente que veio por meses e ficou anos e também os que não criaram raízes, mas que sempre tiveram a segurança de saber que independente do que ocorresse, o 1001 estaria ali para segurar a barra quando fosse necessário.

Seria injusto falar do 1001 sem mencionar sua proprietária, gestora e idealizadora: Rejane Teresinha, mais conhecida como Tia Chane, a quem tenho a sorte de poder chamar de Madrinha. Se alguém tem coração de mãe, essa pessoa é a Tia. Durante todos esses anos de 1001, ela recebeu, acolheu, aconselhou e também deu algumas boas lições para os que compartilharam do seu lar. Nos cuidados, carinhos e no apartamento dela, sempre coube mais um (mesmo que bem apertadinho).

Já faz mais de ano que a Tia comprou um novo apartamento. Diferente do nosso querido 1001, o novo lar é espaçoso, tem cobertura e até uma piscininha. Entre reformas e vai-e-vens de coisas, só essa semana ela se mudou para lá oficialmente. Foi organizando lenta e pacientemente o novo espaço e sem pressa alguma, se despedindo pouco a pouco do antigo endereço.

Por um momento não entendi bem o porque da demora. Ela dizia que faltava isso e aquilo, que sempre tinha algum detalhe para acertar e que na próxima semana isso se resolveria. Mas, no fundo no fundo, ela bem sabia que seus dias no 1001 estavam no último minuto do acréscimo.

Passaram-se semanas e alguns meses até a derradeira e inevitável despedida. Ontem, no almoço de domingo, inaugurou-se o 701 – o sucessor de toda uma era. Quando conversamos por Skype, vi toda a família reunida ali no novo sofá, não poderia ter ficado mais claro: Madrinha, seu lar, seja ele onde for, é só uma extensão do seu enorme coração. Enquanto houver a sua presença, seu jeito acolhedor e os seus braços sempre abertos o 1001 estará sempre vivo em nós.

Um muito obrigada em nome de todos os que tiveram a sorte de dividir seu lar contigo. E vida longa ao 701!!!

 

Outono

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Depois de longos meses de verão, com sol forte das seis da manhã às nove e meia da noite, setembro chegou com novos tons para dar cor à nossa vida. O calor intenso foi nos deixando aos poucos e a brisa de outono veio com ar de renovação.

Ainda me é estranha essa ideia de começar um ‘novo ano’ em um mês que não seja Janeiro. Mas aqui funciona assim. Termina o verão, acabam as férias, começa o ano letivo. Gente nova chega na cidade aos montes e vários amigos vão embora. Parece até final de Malhação: o cenário continua mais ou menos o mesmo, mas só fica um ou outro personagem. Apelidamos esse recomeço carinhosamente de Segunda Temporada.

Nesse meio tempo, as portas da nossa casa estiveram bem abertas e vários amigos passaram por aqui, um atrás do outro, pra não perder o costume.

Na segunda metade do mês, em uma noite no meio da semana, fui buscar a Nanda na Plaza Catalunya. Sem dúvidas uma das visitas que mais esperei: depois de mais de dez anos de amizade, era a primeira vez que conseguiríamos fazer uma viagem juntas. Já era quase uma da manhã quando ela finalmente saiu do ônibus toda descabelada, com seus óculos tortos, chinelo de pelo, sorriso largo e alma reluzindo como sempre. Acon-chegou.

Receber pessoas aqui sempre me abre os olhos para detalhes da cidade que ainda não tinha reparado ou que já acostumei a ver. É um exercício interessante esse de tentar ver as coisas como se fosse a primeira vez, porque se for parar pra pensar, sempre é a primeira vez.

No meio de toda confusão dos quatro voos perdidos e outras tantas passagens alteradas, Nanda ficou só cinco dias por aqui. Apesar de curto, o tempo que passamos juntas foi aproveitado bem demais. Fomos aos meus bares e restaurantes preferidos, aos eventos da Fiesta de la Mercé, caminhamos pelos bairros antigos. Fomos à praia, museus e a um parque de diversões daqueles itinerantes – comemos algodão doce e passamos mal em um brinquedo desses que joga a gente pro alto sem cinto de segurança e todo mundo acha que tá ok, tá bacana, tá seguro. Fiquei com uns hematomas nas costelas, perdemos um pé do chinelo de pelo, saímos tontas.

Conversamos por horas de madrugada, em cafés, na rua. Fotografamos e usamos as roupas uma da outra, igualzinho como fazíamos aos 12 anos de idade. Quando eu achava que íamos parar para descansar, a Nanda sempre queria em algum outro lugar, fazer qualquer outra coisa – se pudesse ser de moto, melhor – S.O.S. Juro que tem vezes que não sei de onde vem tanta energia.

Teve um dia no meio desses todos que foi ainda mais especial. Era aniversário do Thomas, namorado da Ana. Fomos a um restaurante comer tapas e tomar cerveja. Chegando lá encontramos a Thais, uma amiga que estudei junto na facul e no colégio, que nos esperava. Não nos víamos há uns dois anos, segundo nossos cálculos.

A Thais veio fazer uma viagem pela Espanha, começando e terminando por Barcelona, passando por Mallorca, Madrid, Granada e Sevilla. Ela queria fazer uma viagem, seus possíveis acompanhantes estavam todos trabalhando e ela tinha o tempo e o dinheiro. A turnê da banda preferida dela, os Rolling Stones, passaria por aqui. Ela comprou o ingresso e as passagens e veio sozinha mesmo. Gosto de gente assim.

Conversa vai, conversa vem, entre tapas e beijos, cervejas e sangrias, saímos do restaurante e passamos em um bar de chupitos onde cada um pagou uma rodada de shots – fomos embora depois do oitavo, pelo bem de todos. Já não tão sóbrios, decidimos caminhar até uma festa, uns 2km dali. Pelas ruas largas do Eixample fomos dançando cantando e dançando hits antigos à capela – de Tim Maia a Smash Mouth.

Uma combinação improvável de pessoas em um desses momentos únicos, simples e inesperados.  A alegria e a energia eram tão boas que deu vontade de reviver o momento em looping eterno. Na UltraPop – melhor substituta do V.U até agora – dançamos até as pernas não aguentarem mais e a Thais (que tinha vindo direto do aeroporto) já não conseguisse ficar de olhos abertos. No dia seguinte, curamos a ressaca com um baita brunch de panquecas cheias de syrup e logo estávamos prontos para a próxima.

Em momentos como esse percebo como eu sou uma pessoa de pessoas (people’s-person definitivamente soa melhor). Nesses quase dois anos fora, aprendi a ser um pouco mais auto-suficiente, mas não tem nada que me faça mais completa do que estar ao lado de gente boa que eu amo.

Antes da Nanda ir embora, sentamos em um bar numa praça no meio do Raval, pedimos um café e eu abri meu coração mais uma vez. Coloquei um monte de coisas pra fora e, de repente, meio que como mágica, as coisas fizeram sentido. É engraçado como às vezes a gente precisa verbalizar os sentimentos para se entender melhor. Foi com essa clareza e com palavras de incentivo e carinho que nos despedimos.

Acho que uma das melhores partes de estar com amigos antigos é essa sensação de reencontro com as partes de nós mesmos que se ficaram esquecidas em algum canto. Obrigada Setembro.

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Conversa com Chimamanda

Já faz mais ou menos um mês que uma amiga me avisou sobre a talk da Chimamanda que iria rolar aqui no CCCB (Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona). Fiquei super animada e corri comprar os ingressos que já estavam quase esgotados. Chimamanda Ngozi Adichi é uma escritora nigeriana bastante conhecida por tratar de questões de gênero e raça – sendo uma das grandes vozes do feminismo contemporâneo.

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Saí tarde do trabalho e o Oliver já me esperava na portaria. Apertamos o passo e chegamos ao teatro no primeiro minuto da conversa. Já de cara deu para sentir o entusiasmo da platéia, com olhos e ouvidos atentos a cada palavra e movimento da protagonista da noite.

Chimamanda nasceu e viveu na África Ocidental até seus quase 20 anos, quando conseguiu uma bolsa para estudar comunicação nos Estados Unidos. Depois de terminar a graduação, publicou alguns contos e até um livro de poesia, mas foi só aos 26 anos que escreveu seu primeiro romance, o Purple Hibiscus. Já na sua estreia como novelista, ela foi bastante aclamada pelos críticos e recebeu uma série de indicações e prêmios de literatura.

Mas foi só em 2009, quando fez sua primeira TEDTalk, “O perigo das histórias únicas”, que ela ganhou mais notoriedade internacional. Se você ainda não teve a oportunidade, faz um chazinho, senta no sofá e dá um play aqui porque vale a pena:

E eu lá, sentada em meio a uma plateia cheia de mulheres de diversas idades, nacionalidades e histórias, tive a sorte de poder sentir um pouco da energia incrível que ela transmite. Confesso que não fui introduzida a nenhum novo fundamento feminista ou qualquer coisa do tipo, mas a força com que suas palavras envolvem, motivam e provocam o público me surpreenderam.

Uma das coisas que eu mais gosto na literatura e no discurso da Chimamanda é a maneira como ela abre um diálogo sobre temas importantíssimos de maneira bem-humorada e bastante didática. Segundo ela, não há porque utilizar termos técnicos ou de difícil compreensão para falar de feminismo e racismo –  temas tão comuns e presentes no nosso dia a dia. É muito melhor conscientizar através de exemplos e histórias reais.

Pensando nisso, ela também escreveu os livros Todos devemos ser feministas (2014), baseado em sua outra TEDTalk, e Para educar crianças feministas – um manifesto (2017), um livro-carta com 15 sugestões dadas a uma amiga sobre como criar sua filha seguindo alguns princípios do feminismo. São livros super fáceis e rápidos de ler, e ilustram bem várias situações com as quais estamos acostumadas a nos deparar.

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Não vou dar muito spoiler sobre os livros, mas dá pra ter uma ideia do manifesto dela ao ouvir a música Flawless, da Beyoncé, inclui um dos trechos da autora:

“We teach girls to shrink themselves, to make themselves smaller. We say to girls: – You can have ambition, but not too much. You should aim to be successful, but not too successful, otherwise you will threaten the man.

Because I am female I am expected to aspire to marriage, I am expected to make my life choices always keeping in mind that marriage is the most important. Now marriage can be a source of joy and love and mutual support, but why do we teach girls to aspire to marriage and we don’t teach boys the same?

We raise girls to see each other as competitors. Not for jobs or for accomplishments, which I think can be a good thing, but for the attention of men. We teach girls that they cannot be sexual beings in the way that boys are.

Feminist: the person who believes in the social, political and economic equality of the sexes.”

Durante a conversa, ela comentou que, apesar de algumas polêmicas envolvendo Flawless, resolveu ceder os direitos de uso do seu discurso com a intenção fazer chegar sua meAmericanahnsagem a um público que talvez não tivesse acesso a ele de outra maneira e, dessa forma, “plantar sua sementinha” para outras jovens.

Já em Americanah, seu último romance publicado, ela conta a história de Ifemelu, uma jovem nigeriana que vai estudar nos Estados Unidos (coincidência?) e se depara com as dificuldades de ser negra, mulher e imigrante. A personagem tem personalidade forte e, aparentemente, não agrada a todos. Quando questionada sobre isso, Chimamanda rebate:

“- Eu não a criei para que ela fosse agradável, e sim para que fosse autêntica. Muitas pessoas me dizem que leram o livro e não gostaram da protagonista. Eu fico feliz. Estamos acostumadas a achar que as mulheres têm que se adaptar para agradar a todos, que devem ser dóceis e gentis. Por outro lado, vejo romances como Lolita, por exemplo, onde o protagonista em questão se “apaixona” por uma menina de 12 anos e, de alguma maneira, consegue a simpatia do leitor. Aí já podemos perceber como existem dois pesos e duas medidas diferentes para homens e mulheres.”

De acordo com ela, escrever Americanah foi libertador. Por já ter publicado livros abordando temas que considerava de sua obrigação tratar (como a guerra civil na Nigéria, por exemplo), ela se permitiu escrever um romance exatamente como tinha vontade. Sem se preocupar tanto com o-que-achava-que-tinha-que-dizer ou com o politicamente correto, ela escreveu o que queria e curtiu o processo: “Tiveram vezes que ri tanto das minhas próprias piadas e histórias que achei que estava ficando louca”. Foi com essa determinação, naturalidade e bom humor que ela respondeu a maioria das perguntas, sempre arrancando aplausos do público.

A única foto que consegui tirar :B

É sempre especial colocar cara nas pessoas – como dizem por aqui. Ver, ouvir e perceber as diferentes nuances das pessoas que admiramos por uma perspectiva mais real, próxima e humana. Não são só palavras em um papel, ou um vídeo na tela do celular. É a presença, o contato e a energia que fazem toda a diferença.

Por último, Chimamanda respondeu uma pergunta sobre sua rotina como escritora. Disse admirar aqueles autores que conseguem ter horários bem definidos e criar algo todos os dias. Tem vezes que, quando a inspiração vem, ela passa o dia de pijama escrevendo até não poder mais. Já em outros momentos menos iluminados, prefere focar em atividades diferentes e dar tempo ao tempo.

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Quando perguntada sobre se está ou não escrevendo novos livros, ela preferiu não dar spoilers e desabafou sobre a pressão externa que surge quando revela novos projetos. Disse que essa cobrança para entregar resultados a atrapalha muito e faz crescer a ansiedade que já é quase intrínseca ao processo criativo, além sentir que fica mais vulnerável a energias externas que nem sempre são positivas.

Já escrevi demais né? Pra resumir, foi lindo. Depois da palestra rolou uma sessão de autógrafos onde ficou ainda mais claro o exemplo que ela é para muitas jovens. Sai de lá ainda mais fã, com vontade de ler todos os livros e inspirada pelo exemplo dessa mulher que questionou e superou os tantas barreiras e hoje está aí, iluminando as ideias de muita gente.

Por um mundo com mais Chimamandas e menos histórias únicas!

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“ – A ficção me brinda com uma alegria tão grande, tão rara. Eu quero escrever até morrer. Se eu não pudesse escrever, preferiria não viver.”                      Chimamanda Ngozi Adichi

 

 

 

 

 

Beijos,

Maria Alice

Irmãs Sorlet

Uma das ideias desse blog, dentre as tantas que vem surgindo pouco a pouco, é compartilhar coisas que me chamam a atenção por aí, que acho interessante ou que, por algum motivo, me trazem algo de novo ou especial.

Hoje queria dividir com vocês o trabalho lindo das irmãs Agathe e Lorraine Sorlet. As gêmeas francesas são ilustradoras e animadoras, formadas na L’École de L’Image Gobelinsreferência em comunicação digital, design interativo e entretenimento – em Paris.

As duas retratam, cada uma com sua linguagem própria, mulheres em diferentes contextos – sempre de maneira delicada e sutil, com um toque de humor.

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Lecture d’amour 3 – Lorraine Sorlet

Primeiro descobri a Lorraine. Amei as cores que ela usa e o jeito como representa situações cotidianas em pequenos fragmentos super expressivos. A série de leituras sobre o amor e as de casais são demais, mas as minhas preferidas ainda são as que retratam mulheres, onde os olhares e gestos falam muito por si só. Dá uma olhada:

 

Your Arms

 

Captura

A Agathe eu descobri por acaso, quando vi que as duas estavam fazendo uma exposição juntas – a “Sisters” – e me apaixonei. Diferente da irmã, ela usa mais o humor, explora o corpo feminino, os hábitos, o nu e a sexualidade mais livremente e me faz sorrir com seus gifs no Instagram.

 

 

 

A verdade é que não tenho mais muita informação sobre elas. Só sei que achei tudo lindo, leve e despretensioso. Tá difícil escolher qual encomendar pra pendurar em casa!

Pra conhecer um pouco mais do trabalho delas (ou comprar um print pra sua parede também):

http://lorrainesorlet.tictail.com/

http://agathesorlet.tictail.com/

e no Instagram:  @lorrainesorlet @agathesorlet

Beijos,

Maria Alice

 

Primeiros 10km

Ontem foi um domingo especial.

Acordei cedo e, com muito esforço, consegui acordar o Oli uns minutos depois. Vestimos nossas roupas de corrida e as camisetas da “Cursa de la Mercè”, passamos um café no filtro e eu fiz um queijo quente pra nós. Colamos nossa dorsal com uma fita mequetrefe e, ainda meio sonolentos, pegamos o metrô para a Plaça d’Espanya.

Chegando lá, encontramos uns amigos e nos infiltramos entre as baterias dos 55’ e dos 60’. Por um momento, pensei que seria bem legal se conseguíssemos terminar os 10 Km perto desse pessoal. Batemos um papo esperando a largada e, com a contagem regressiva em catalão, começamos a correr devagarinho até passarmos pela surtida oficial.

Logo nos primeiros minutos nos perdemos dos nossos amigos, que dispararam com o pelotão da frente. Corremos tranquilos, começando com mais velocidade e baixando o ritmo aos poucos. A cidade estava linda, o sol forte e uma brisa fresca de início de outono. O som das passadas das quase 12 mil pessoas animava mais do que qualquer música.

No meio desse povo tinha gente de todo tipo: crianças, jovens, velhinhos, mães correndo com bebê no carrinho, cadeirantes e famílias inteiras – confirmando mais uma vez que a corrida é um esporte pra quem quiser.

Passamos pela Gran Via, Arco do Triunfo, Praça da Catalunya e terminamos de volta na Fonte Mágica de Montjuic. Dá pra dizer que o último km (na subida) foi o que pesou um pouco nas pernas. Mas após  1 hora e 1 minuto, cruzamos a linha de chegada.

Mapa do Trajeto

Como nas últimas semanas já estávamos fazendo treinos mais longos, não foi surpresa chegarmos inteiros ao final da prova. Ainda assim, acabamos com um gostinho de vitória – tendo feito nossos quilômetros mais rápidos até hoje. Essa é uma das coisas que eu mais gosto na corrida: a possibilidade que cada um tem de praticar do seu jeito, superando os seus limites e alcançando as próprias metas (e depois dobrando, rs) – sejam elas quais forem.

Felizes e suados após a chegada

Há bem pouco tempo, eu mal conseguia correr 500m sem ficar ofegante. Jamais acreditaria se me dissessem que correria 5km direto (é mais do que uma volta inteira no Barigui), imagina então os 10. E aí que vem a graça. A corrida me ensinou a acreditar mais em mim, a me alegrar com cada pequena vitória, a ouvir meu corpo e a respeitar meu próprio tempo. É uma terapia de autoconhecimento.

Ontem foi um dia especial porque pude comemorar essa pequena vitória – que pode ser muito ou pouco para os outros – mas que é minha e para mim. Que venham os próximos desafios, quilômetros e alegrias nesse esporte que ganhou meu coração.

A melhor hora do dia

É assim emaranhado que a gente gosta de ficar.

Braço em baixo do pescoço do outro até formigar. Pernas entrelaçadas, mãos dadas e aquele lugarzinho no cangote que é melhor que qualquer travesseiro. Até melhor que o da NASA.

Esquentamos os pés quando frios, ajeitamos a coberta eternamente bagunçada. Roupa de cama arrumada virou parte de um sonho antigo.

À meia luz do abajur, terminamos assuntos, fazemos planos para o dia seguinte – que quase sempre incluem ir dormir mais cedo -, tomamos o resto do chá, conversamos mais um pouco, até que as pausas entre uma frase e outra fiquem demoradas e de repente, sejamos silêncio.

Tem dias que não dá vontade de dormir. Dá vontade de ficar ali, sentindo a pele na pele, a pele no lençol, com uma perna por baixo e outra por cima da coberta – que é pra controlar a temperatura.

Mas a gente tem o sono fácil.

Talvez pela quase exaustão dos dias que parecem intermináveis, talvez porque quando deito ao teu lado – finalmente – eu chego em casa.

“Tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,

Tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.”  – Pablo Neruda

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